Posts de Abril, 2007

h1

A quem pertence a verdade?

Abril 21, 2007

Na última terça-feira finalmente aconteceu a tão esperada apresentação de um seminário, já que, até então, só ocorrera apresentações de mini-seminários. O grupo comentou o livro ”A apologia de Sócrates”, escrito por Platão. Utilizaram como recurso a projeção de slides que entitulavam os temas a serem tratados.
Deu-se início ao seminário com uma abordagem do contexto histórico (contada por Murilo muito competentemente) a que a obra estava inserida. Da Grécia antiga ao período Helenístico foi-se contada batalhas, tiranias, o nascimento da democracia… fatos que marcaram a Antiguidade e que mereciam a devida importância.
O aluno Bruno fez um comentário crítico bastante pertinente sobre uma questão que sempre é muito atual para o estudo da História, que é a questão da análise anacrônica que temos da História. Precisamos esgostar essa carga de contemporaneidade que damos à História, aos fatos passados, e passar a vê-la como a ”ciência da linguagem” ou, no caso do seminário, ”descer no pensamento grego”. Outra coisa que também nao se pode deixar de comentar foi a tentativa de envolver a classe na condução da apresentação: a decisão de se contar a história de Édipo pelo mito ou logos. O professor Dimas interviu e decidiu, unanimamente, que se contasse o mito. O por quê ninguém sabe…
O grupo trabalhou também com conceitos filosóficos muito importantes e soube explicá-los de maneira bem clara, como por exemplo a palavra ALETHEIA (aquilo que não pode ser esquecido), Aedo, adivinhos e o rei (mestres da verdade). Posteriormente começou o julgamento de Sócrates, com a sua defesa ficando por conta das alunas Marília e Flora, e a acusação por conta de Daniela. Dado o veredito, a palavra passou para o aluno André, que comentou o significado e a origem da talvez mais conhecida frase de Sócrates : ‘’só sei que nada sei”, cabe aqui salientar mais um conceito grego: Aporia, que seria mais ou menos um estado de auto-questionamento e que, por conseguinte, se faz chegar à conclusão de que nada se sabe.
Enfim, o aluno Ricardo ficou incumbido de falar da comparação que fazem entre Sócrates e Jesus, por terem sido figuras de existência não comprovada, por defenderem princípios convergentes, como a questão da igualdade.
A conclusão teve a iniciativa de Bruno que indagou sobre temas transcendentes à obra: como nossa sociedade constrói ou construiu a imagem de Sócrates? O conceito de verdade, ou melhor, a quem pertence a verdade?
Depois de um breve silêncio, o professor Dimas tomou a palavra e discutiu sobre os desdobramentos que a verdade alcança, em sua manipulação e na criação de dogmas e ideologias.

O grupo só não conseguiu envolver a classe em um debate ou alguma discussão que necessitasse uma troca de idéias entre os alunos. Mas acho que essa não era a pretensão do grupo, e nem a finalidade do seminário.
Parabéns ao grupo pela apresentação!

Por Thiago Crepaldi.

h1

Vítima que rouba ladrão tem perdão?

Abril 19, 2007

Prestigiar o cinema brasileiro é necessário, ainda mais considerando essa nova safra de filmes com conteúdo e informação. Mas, ainda além, também é preciso criticá-lo e questionar alguns posicionamentos.

Caixa Dois é um filme de Bruno Barreto que estreou dia 06/04/2007 e narra o causo de uma lavagem de dinheiro realizada por um grande banqueiro. Luiz Fernando[Fulvio Stefanini], presidente de uma das mais fortes agências bancárias do país, se encontra em um grande impasse quando o seu “comparsa” sofre um derrame cerebral. O banqueiro é obrigado a buscar uma maneira alternativa de ganhar esse dinheiro. A solução encontrada por seu assistente [Romeiro, Romeu, Romeio...] é transferir o dinheiro [50 milhões!] para a conta de sua secretária e transformá-la em laranja. O problema é que esse dinheiro vai para a conta errada: Angelina [Zezé Polessa], a esposa de um dedicado gerente que trabalha no mesmo banco que Luiz Fernando preside e acaba de ser demitido.Após diversos desencontros, barganha e corrupções, valendo-se até de colocações cômicas do banqueiro avarento sobre sua noção de valores monetários para uma família de classe média baixa, ocorre o questionamento: “É correto ficar com esse dinheiro que já tem uma origem suja?”.

caixa-dois.jpg

Ao término do filme, não pude deixá-lo de associá-lo com O Homem que Copiava, filme de 2003 dirigido por Jorge Furtado.

Um homem [Lázaro Ramos] descobre como copiar cédulas na fotocopiadora em que trabalha. A princípio, ele não sabe se possui o direito de aproveitar-se dessa descoberta, mas vai se rendendo aos poucos aos seus desejos materiais, à sua vontade (e necessidade) de mudar de vida e a fuga de sua estagnação social, além de fornecer ajuda à moça por quem se apaixona [Leandra Leal].Por um momento, as personagens dos dois filmes se encontram em um questionamento crucial: eles têm o direito de manter essa forma desonesta de uma oportunidade de melhora de vida?

O amor justifica a ação ilegal?

A princípio, a resposta pode parecer óbvia e simples e levar à instantânea busca pela dignidade – deve-se fazer o que é certo, “dar a César…”Mas e se esse dinheiro também não pertence ao César da vez? É correto se aproveitar de falhas na corrupção do sistema que te domina? O oprimido pelas falcatruas e abusos do dominador pode ser considerado legítimo quando encontra meios ilícitos para crescer na mesma sociedade que o domina?

O mais aceitável é que o meio não seja corrupto ou corruptor. Mas, já que é difícil imprimir valores tão puros àquilo que envolve o poder, umas das soluções para tornar a relação dominador / dominado mais viável é que não haja abusos do mais poderoso e nem submissão do dominado. Questionar e agir contra a corrupção é um direito do cidadão. Conscientização e informação são também necessárias para que as pessoas não fiquem alienadas e saibam agir em situações de julgamento e ponderação.

Mas, ainda assim… 50 MILHÕES!?

Por Camilla Rolim.

h1

O poder e a comunicação

Abril 17, 2007

    Na última terça-feira, 10, o grupo responsável pela discussão do livro “A cabeça bem feita”, escrito pelo filósofo francês Edgar Morin, apresentou o mini-seminário intitulado “Uma discussão sobre Comunicação”. A base do debate foi a validade da criação de canais de televisão públicos e estatais.
    A apresentação iniciou-se com a exibição do projeto apresentado pelo governo e assim, posteriormente, foi feita a relação entre a obra “ Do Contrato Social”, do filósofo Jean-Jacques Rousseau, e os modelos de canais televisivos que fazem parte da rede pública. Porém, a relação entre a obra e tais modelos pareceu ser um pouco vaga, pois a composição literária foi apenas citada, e não tratada com a profundidade merecida.
    O mini-seminário também contou com entrevistas e vídeos que enriqueceram a exibição. A entrevista feita com o professor de pós-graduação e teórico da Comunicação, Laurindo Leal Filho, é merecedora de destaque. O professor salienta como ideal a BBC, uma emissora pública de rádio e TV do Reino Unido, na qual a população contribui para o seu funcionamento com uma taxa.
    Entre os vídeos apresentados, o que se sobressaiu foi o trecho do programa “Alô Presidente”, que faz parte da programação da VTV, principal rede estatal venezuelana. O trecho demonstrava, por meio do discurso do presidente, como o canal televisivo estava sendo utilizado para a manipulação de seus telespectadores.
    No final da apresentação, questões como o tipo de financiamento que poderiam ser feitos para o projeto (estatal, privado ou misto), a criação da rede e o conteúdo transmitido foram “levantadas”. E a partir do questionamento, o debate na classe foi iniciado.

    O trabalho foi muito bem feito. Parabéns pelo seminário!

Por Mariana Gabellini.

h1

A arte de errar

Abril 10, 2007

Ocupo essa valorizada coluna neste blog maravilhoso para contar e comentar o seminário apresentado por estudantes de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.  Estudantes que também são responsáveis pelo blog “Bocejos de Felicidades” (segue o link no menu abaixo).

 O tema da apresentação foi o Preconceito.

Primeiro, deve-se reconhecer que o tema escolhido é de grande complexidade e altamente conflituoso. Isso, nos obriga num primeiro momento, a parabenizar o grupo pela difícil escolha.

 A opção por um assunto sensível, como aconteceu, expõe mais os integrantes do grupo, já que estes são “forçados” a se expressar sobre um tema delicado. Dessa forma, um seminário, que nunca está imune ao erro, está mais sujeito à colocações infelizes e equivocadas por parte de todos.

O seminário foi composto por trechos de filmes e músicas e dados estatísticos relacionados a situações da história. Todos atuando como exemplo parar mostrar de existência do preconceito.

Claramente perceptível durante a apresentação, a posição do grupo era contrária as repressões baseadas no preconceito, seja este qual for. No entanto, como era de se esperar, ocorreram algumas colocações infelizes. Uma, por exemplo, foi a sugestão da criação de um dia do Orgulho Branco. 

Reconheço que foi uma tentativa de medida que podia ajudar na extinção do preconceito. Com todo respeito, que não quero que falte, crítico a sugestão, mas parabenizo a tentativa. O dia do Orgulho de alguma etnia surge a partir de uma história de dor, luta, sofrimento e lágrimas. História que a etnia branca não tem. Ao contrário de orgulho, tal dia proporcionaria vergonha aos que conhecem minimamente a história e tem um pouco de bom senso.

Outra crítica levantada é em relação as estatísticas que o grupo transmitiu à classe (crítica muito bem colocada por um dos alunos em sala). Eram dados secos, sem uma análise mais a fundo do que realmente ocorria.

Tenho certeza que a intenção do grupo era a melhor possível, mas alerto para o sempre existente risco do erro. Mesmo com uma boa preparação e todos as outras etapas bem cumpridas estamos sujeitos a errar. E isso não é ruim. Aliás, é um erro achar que errar é um erro.

O erro sempre vem acompanhado do aprendizado e é nesse ponto onde encontramos a arte de errar. Este “errar” pode muito bem ser substituído por “reconhecer e aprender”. Devemos reconhecer que erramos, para não errarmos mais numa mesma situação.

Destaco aqui a arte de errar e que ninguém está imune à ela. Inclusive este texto, que, espero eu, seja criticado e esteja com erros.

Parabéns pelo Seminário, Abraços Camilo.

h1

O objetivo é chocar!

Abril 8, 2007

rio-pela-paz.jpg

O objetivo era escrever sobre o mini seminário de terça, mas entrei na internet e vi esta imagem que muito tem a ver com o nosso mini seminário. Então decidi continuar escrevendo sobre este tema e passar a bola para outra pessoa escrever sobre preconceito, discriminação etc.

Depois de muito filosofar sobre o porquê das manifestações, cheguei a uma conclusão: Sim, ela serve para alguma coisa além de distrair alguns vagabundos que não tem mais o que fazer, a manifestação serve para mostrar ao mundo o que acontece de ruim ou até de bom com determinada população e (quem sabe) trazer novas pessoas pela luta de uma certa causa.

Achei lindo uma cidade como o Rio de Janeiro, onde as pessoas vivem com medo de uma bala perdida ou de algum assalto, lutar por algo tão nobre como a paz que eles e (creio eu) que todos querem.

Não vim escrever sobre a manifestação do Rio ou de qualquer manifestação e sim declarar a minha esperança nos protestos e tudo mais. Sim, eu acredito que eles sirvam para algo e também acredito que um dia possam até mudar muita coisa. E sempre que puder, estarei participando daquelas que lutam por alguma ideologia que valha a pena.

Percebe-se que sou muito sonhadora. Mas além disso, acredito num mundo melhor e farei o possível para transformá-lo.

Por Cris Uehara.