Na última terça-feira finalmente aconteceu a tão esperada apresentação de um seminário, já que, até então, só ocorrera apresentações de mini-seminários. O grupo comentou o livro ”A apologia de Sócrates”, escrito por Platão. Utilizaram como recurso a projeção de slides que entitulavam os temas a serem tratados.
Deu-se início ao seminário com uma abordagem do contexto histórico (contada por Murilo muito competentemente) a que a obra estava inserida. Da Grécia antiga ao período Helenístico foi-se contada batalhas, tiranias, o nascimento da democracia… fatos que marcaram a Antiguidade e que mereciam a devida importância.
O aluno Bruno fez um comentário crítico bastante pertinente sobre uma questão que sempre é muito atual para o estudo da História, que é a questão da análise anacrônica que temos da História. Precisamos esgostar essa carga de contemporaneidade que damos à História, aos fatos passados, e passar a vê-la como a ”ciência da linguagem” ou, no caso do seminário, ”descer no pensamento grego”. Outra coisa que também nao se pode deixar de comentar foi a tentativa de envolver a classe na condução da apresentação: a decisão de se contar a história de Édipo pelo mito ou logos. O professor Dimas interviu e decidiu, unanimamente, que se contasse o mito. O por quê ninguém sabe…
O grupo trabalhou também com conceitos filosóficos muito importantes e soube explicá-los de maneira bem clara, como por exemplo a palavra ALETHEIA (aquilo que não pode ser esquecido), Aedo, adivinhos e o rei (mestres da verdade). Posteriormente começou o julgamento de Sócrates, com a sua defesa ficando por conta das alunas Marília e Flora, e a acusação por conta de Daniela. Dado o veredito, a palavra passou para o aluno André, que comentou o significado e a origem da talvez mais conhecida frase de Sócrates : ‘’só sei que nada sei”, cabe aqui salientar mais um conceito grego: Aporia, que seria mais ou menos um estado de auto-questionamento e que, por conseguinte, se faz chegar à conclusão de que nada se sabe.
Enfim, o aluno Ricardo ficou incumbido de falar da comparação que fazem entre Sócrates e Jesus, por terem sido figuras de existência não comprovada, por defenderem princípios convergentes, como a questão da igualdade.
A conclusão teve a iniciativa de Bruno que indagou sobre temas transcendentes à obra: como nossa sociedade constrói ou construiu a imagem de Sócrates? O conceito de verdade, ou melhor, a quem pertence a verdade?
Depois de um breve silêncio, o professor Dimas tomou a palavra e discutiu sobre os desdobramentos que a verdade alcança, em sua manipulação e na criação de dogmas e ideologias.
O grupo só não conseguiu envolver a classe em um debate ou alguma discussão que necessitasse uma troca de idéias entre os alunos. Mas acho que essa não era a pretensão do grupo, e nem a finalidade do seminário.
Parabéns ao grupo pela apresentação!
Por Thiago Crepaldi.



